ExperimentaDesign 2003

ADRIAN FORTY
Crítica/Design [UK]


[=] Print   [×]close
BIOGRAFIA
Adrian Forty é historiador de arquitectura e pretende alterar e enriquecer a forma como pensamos e falamos de arquitectura. Investiga sobre os vários conceitos existentes nesta área bem como a sua relação com a ciência e com a sociedade. Procura desta forma o significado actual de cada palavra no seu enquadramento histórico bem como na sua dimensão teórica, definindo a invenção dos termos por arquitectos, historiadores, filósofos e crítico .

É Professor de História da Arquitectura no The Bartlett, University College London, onde dirige o mestrado em História da Arquitectura. Autor de Objects of Desire, Design and Society (1986) e de Words and Buildings, A Vocabulary of Modern Architecture (2000), e neste momento está a escrever sobre a iconografia do betão.


PROGRAMA
1000 PLATEAUX - 01 Nov
Corpos e Coisas

Todos os tipos de artefactos fabricados oferecem a confirmação do tamanho, forma e por vezes género, nacionalidade e etnicidade do corpo humano. Também parecem tornar o corpo completo, servindo como próteses que permitem à humanidade cumprir o princípio da evolução ao realizar tarefas que, de outra forma, estariam para além da capacidade humana; ou, em alternativa, uma outra concepção dos objectos materiais como próteses é que estes oferecem os meios de ultrapassar a visão psicológica do eu como algo incompleto. A incerteza sobre o facto de o corpo ser completo ou incompleto, e a questão de saber se os objectos materiais permitem que o corpo atinja a completude, ou perpetuam a sua incompletude, são algumas das questões mais interessantes que rodeiam a relação corpo/coisa. Uma outra questão relacionada com a concepção das coisas como extensões do corpo tem a ver com a dor e o prazer: se alguns objectos infligem dor ao corpo, de que modo outros dão prazer ao corpo e qual é a natureza desse prazer corporal?

Tal como outros artefactos materiais, as obras de arquitectura podem fornecer a confirmação da existência, tamanho e forma do corpo. Mas a relação entre arquitectura e corpo é complexa e duradoura em termos históricos. Apesar de parecer que o corpo é uma constante biológica, dando à arquitectura um padrão aparentemente permanente, mudou o entendimento do corpo: a longevidade da história da arquitectura fornece uma oportunidade particularmente interessante para observar a forma como as mudanças do entendimento de corpos e edifícios se afectam mutuamente. A bio-genética alterou as concepções sobre o corpo, com consequência desconhecidas para a arquitectura.
O escritor romano Vitrúvio fez o primeiro relato da relação entre corpo e edifícios. Apesar de ter sido prestada pouca atenção a esse relato após o século XVII, ressurgiram recentemente e de forma surpreendente no discurso arquitectónico discussões sobre a analogia de Vitrúvio entre corpo e edifício e diferentes interpretações da analogia entre corpo e edifício dividem o debate arquitectónico do momento. Um sintoma dessa oposição é a existência de interpretações contrárias do Moldulor de Le Corbusier, um sistema de escala baseado na dimensões do corpo humano desenvolvido pelo arquitecto no final da década de 1940. Neste momento, existe uma profunda confusão e desacordo dentro da arquitectura sobre o valor e as consequências de pensar os edifícios em termos de corpo humano. Quer isso nos diga mais sobre a arquitectura ou sobre a compreensão do corpo, continua a aguardar resposta.