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BIOGRAFIA
Licenciado pela Faculdade de Arquitectura de Lisboa, tem um percurso profissional que o levou a cidades como Milão e Roterdão onde colaborou com vários estúdios de design de produto, estando actualmente a viver e a trabalhar em Copenhaga. Tem desenvolvido trabalho na área de produto e em colaboração com arquitectos. Actualmente integra o grupo E-Studio que em 2001 obteve o 1º prémio no concurso Europan6 para a cidade de Budapeste. PROGRAMA 1000 PLATEAUX - 30 Out. 22:00 "The big problem with information technology is that it tries so hard to be rational. By contrast, humans are happy to be rational only a part of the time. Most other time (apart from the fact that they sleep so much) people operate in very different modes: of daydreaming and pondering; of joy and melancholy; of hope and despair…" Jakub Wejchert, Foreword in Anthony Dunne & William Gaver (project leaders) The Presence Project, CRD Research Studio, 2001, p5 Todo o novo estádio de evolução consequente da enorme curiosidade do Homem relativamente o Mundo, foi, é, e será sempre difícil de entender em pleno pela maioria de nós em tempo útil. A História prova isto mesmo, e o sacrifício de Galileu é um exemplo claro deste facto. Mas se por um lado a História prova o que atrás foi dito, por outro lado ilustra de modo bastante evidente que a postura do Homem relativamente ao Mundo foi sempre de um elevado nível inquisitivo e de apetite analítico voraz. O Homem foi sempre muito sensível à Natureza que o rodeia: interpretando e inquirindo o que o envolve, foi produzindo a sua própria "Natureza". Este processo acabou por cirar uma distinção entre Mundo Natural e "Mundo Artificial" que hoje todos reconhecemos. Conhecimento, é a consequência directa da interpretação e (des)codificação, por parte do Homem, dos estímulos emitídos pela Natureza que o rodeia. Tecnologia, é a consequência da aplicação desse conhecimento na produção humana de artefactos. Se aceitarmos este facto como verdadeiro, teremos de aceitar como sendo igualmente verdadeiro o seguinte: tecnologia é sempre o resultado do esforço de racionalização produzido pelo Homem sobre a Natureza. Porém, um aspecto interessante que pode ser observado, reside precisamente no facto de que a curiosidade voraz do Homem está a ser desviada da Natureza em direcção ao "Mundo Artificial" que este tem vindo a criar. Como consequência, o fenómeno Tecnologia passa a ser o resultado do esforço de racionalização do Homem sobre as suas próprias criações. Se concordarmos, por um lado, que o fenómeno Tecnologia é a concequência directa da capacidade que o Homem possui de recolher e utilizar o conhecimento que este retira da Natureza, e que se concordarmos, por outro lado, que a atenção do Homem esta a ser desviada da Natureza para o Mundo Artificial que este vai criando, teremos também de concordar que o Homem está a tentar interpretar e (des)codificar aquilo que já foi alvo de um processo prévio muito semelhante: o Mundo entrou numa período de dupla-racionalização! Como consequência deste fenómeno, estamos a atravessar um período de hiper-realidade em que cada vez menos espaço está disponível para a capacidade de improvisação de cada indivíduo sobre o meio em que vive. Ao indivíduo exige-se eficácia em intervalos de tempo cada vez mais curtos, e a possibildade de erro é vista quase sempre com algum temor. O processo de tentaiva - e - erro faz parte do passado. As consequências de um desempenho ineficiente na Era da computação são geralmente tidas como dramáticas. O advento da computação pode ser visto como o fenómeno que despoletou este processo de dupla-racionalizaçao: o Homem começou a (re)pensar ideias e valores que remontam ao período da Revolução Industrial e que a partir daí de foram desenvolvendo. Mas a computação é apenas mais uma paragem no longo percurso da evolução do Homem, e não o seu destino final. Deste caminho sabe-se o que já passou, mas pode-se apenas imaginar e especular sobre aquilo que está ainda por vir. Assim sendo, se perdermos a capacidade para imaginar e especular, como será possível continuar a avançar no percurso da evolução? Recorrendo a um ponto de vista de princípio dialético na análise deste processo de dupla-racionalização em que o fenómeno computação é o mecanismo despoletador, temos como tese os sistemas analógicos anteriores ao advento da computação, e como antítese os sistemas digitais postriores ao advento da computção. Porém, e para completar o processo de análise dialética, como síntese pode prever-se um terceiro sistema que será de alguma forma uma simbiose entre os dois anteriores. Tal, será o mesmo que dizer que razão e emoção atingem um ponto de equilíbrio. Esta, será então a próxima paragem no percurso da evolução do Homem. Se o entendimento e utilização correcta das coisas é importante, o erro e a improvisação sobre as mesmas coisas é tambem crucial para avançar no percurso da evolução. O Homem deixará de o ser, caso esqueça as suas capcidades emotivas para usar apenas a razão. |